terça-feira, 14 de junho de 2016
sabedoria/inversão/loucura
O rei Salomão é associado com a sabedoria, e dessa sabedoria vem toda sua riqueza.
No livro de provérbios, atribuído a Salomão, há uma oposição muitas vezes satírica entre sabedoria e estupidez.
O que aconteceria se Salomão não fosse esse sábio e sim um idiota?
E se promovesse festas dos tolos em seu reino, pois a tolice está em toda parte? Ele, para construir seu palácio e suas obras monumentais, obriga todos a trabalhar como escravos. Quem é o idiota?
Um modelo da festa dos tolos, festum fatuorum, festum stultorum, é do da festas medievais, que eram organizadas por noviços. As chamadas festas dos bobos eram uma liturgia reversa da liturgia da igreja católica.
Veja no link abaixo a lista de músicas.
http://www.bbc.co.uk/radio3/earlymusicshow/pip/4394e/
Um procedimento seria o de transformar os provérbios em disputas de enigmas entre pretensos sábios, um concurso sobre que é o homem mais inteligente.
brincar com os sinônimos da palavra ´sabedoria´: inteligente, esperto, etc.
Harris, Max, Sacred Folly: A New History of the Feast of Fools. (Ithaca, N.Y. and London: Cornell University Press, 2011.
segunda-feira, 13 de junho de 2016
Cena 4
Cena 4 (Entra um sujeito bem gordo, suado, passando o lenço na testa. É Hirão)
JOVEM SALOMÃO (Como uma criança vai abraçar forte o Hirão)
Hirão, gordão, amigãozão! Meu irmão: há quanto tempo!
HIRÃO
Calma, moleque: agora você é rei!
JOVEM SALOMÃO
Hirãozão, gordão: como eu amo esse cara!
HIRÃO (afastando o JOVEM SALOMÃO
Idiota! Me escute: Teu pai te mandou construir um monte coisas, entendeu? Eu sempre ajudei teu pai, lembra? Então vamos continuar trabalhando juntos, tudo bem?
JOVEM SALOMÃO
Claro, Hirão, meu irmãozão! Fifty fifty! Fifty fifty! Hirão gorduchão!
HIRÃO
Quieto, moleque! Tudo tem que ser bem feito! Eu tô com um monte de gente nesse negócio. Presta atenção: tô trazendo a madeira e as pedras, tudo da melhor qualidade. Os homens dia e noite vão carregar e descarregar os caminhões. Os mestres-de-obra e os operários, meus engenheiros e arquitetos todos disponíveis pra você. Isso aqui vai demorar anos, anos. Por isso eu preciso de você nisso o tempo inteiro. A gente vai se dar muito bem. Do seu lado, você cuidado pra tudo sair certinho, aprovando os projetos, as obras. Eu entro com o trabalho e você com a lei. A gente é irmão, família!
JOVEM SALOMÃO
Tudo que você quiser, HIRÃO grandalhão! Fifty fifty! Fifty fifty!
HIRÃO (imagens de construções projetadas. O movimento dos coros como escravos trabalhando)
Então ao trabalho! Todo mundo: vamos refazer a cidade, uma cidade nova. Construir um palácio, o melhor e maior palácio! Teu pai iria ficar orgulhoso! Um palácio não: um complexo de construções: um lugar para as festas, um salão enormes para receber os visitantes. Uma casa luxuosa pra você morar. Um hotel de luxo para as suas mulheres. E um salão enorme pra você se mostrar como reto juiz, julgando as causas e as pessoas. E pra esses salões e casas tudo de bom e do melhor: os melhores móveis, os melhores materiais, tudo o que for belo, caro e único.
JOVEM SALOMÃO
Eu quero do melhor, Hirão meu irmão! Eu sempre tive do melhor. Fifty fifty! Fifty fifty! E quero um zoológico com leões, macacos e pavões, e um lago artificial gigante e e uma ponte, uma ponte pra lugar nenhum! E também um muro em volta da cidade, um muro que nunca acabe de tão grande. E muitos automóveis, todos que eu puder comprar e ganhar! Eu adoro carros, Hirão grandão! Ah como eu adoro!
HIRÃO
Mas... mas onde você vai guardar esses carros?
JOVEM SALOMÃO
Fifty fifty, Hirão, Fifty fifty: Vou transformar as cidades em volta em estacionamentos! Todas as cidades vão virar estacionamentos pra meus automóveis. Anota aí nessa plantas: vamos reconstruir as cidades que meu pai destruiu. Vamos destruir tudo e construir de novo!
HIRÃO
E quem vai dar duro, trabalhar nisso por horas e horas todos os dias o tempo inteiro?
JOVEM SALOMÃO
Quem? Que? os filhos da putada! Todos eles! Vão trabalhar pra mim todos os dias de suas vidas, sem pausa, sem reclamação, sem receber nada, só comida, e comida a mais barata que houver. E vão homens e mulheres felizes, a putada toda suja de terra, as mãos feridas, a boca sem dentes, todo mundo rindo e se mijando de alegria enquanto apanham nas costas e trabalham pra mim. Pois eu, Salomão fifty fifty debati com Deus e venci. Se perder pra essa gente, vou empatar com quem?!!!
HIRÃO( rindo)
Ah, Salomão! Você é mesmo um idiota, um completo idiota! Mas há sabedoria nessa loucura( Rindo) Vamos ficar anos e anos nessa patacoada!
Canção de trabalho. As obras sem fim
domingo, 12 de junho de 2016
Hirão I, o financiador do reino de Salomão.
As relações com do Hirão I, rei de Tiro, a casa de David são antigas. A história de Salomão é atravessada por este irmão mais velho. Juntos formam uma aliança político-militar, que marca a expansão comercial do reino de Salomão. Destaque está na posição de Hirão como fornecedor de materiais para as construções de Salomão e de David. Hirão seria o rei empreiteiro da casa de David.
Ao seu lado, Tiro era uma cidade Fenícia, cananita, associada aos 'idólatras' inimigos dos israelitas. O profeta Amós, em suas maldições, braveja "Assim diz o Senhor: Por três transgressões de Tiro, e por quatro, não retirarei o castigo, porque entregaram todos os cativos a Edom, e não se lembraram da aliança dos irmãos(Amós 1:9). A aliança dos irmãos ou iguais é a aliança entre Salomão e Hirão.
Pelo mapa abaixo é possível ver que sendo a cidade de Tiro um porto, ligação com Jerusalém forneceria não apenas um ponto de escoamento de mercadorias e sim uma hegemonia no mar Mediterrâneo.
Eis as fontes:
1-David com 31 anos começa um contato com Hirão.
"Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, e madeira de cedro, e carpinteiros e pedreiros, que edificaram uma casa para Davi"(Samuel 5:11)
2- Salomão se vale dos mesmos serviços de que Hirão fizera pra David
"E enviou Hirão, rei de Tiro, os seus servos a Salomão (porque ouvira que ungiram a Salomão rei em lugar de seu pai), porquanto Hirão sempre tinha amado a Davi.
Então Salomão mandou dizer a Hirão:
Bem sabes tu que Davi, meu pai, não pôde edificar uma casa ao nome do Senhor seu Deus, por causa da guerra com que o cercaram, até que o Senhor pôs seus inimigos debaixo das plantas dos seus pés.
Porém agora o Senhor meu Deus me tem dado descanso de todos os lados; adversário não há, nem algum mau encontro.
E eis que eu intento edificar uma casa ao nome do Senhor meu Deus, como falou o Senhor a Davi, meu pai, dizendo: Teu filho, que porei em teu lugar no teu trono, ele edificará uma casa ao meu nome.
Dá ordem, pois, agora, que do Líbano me cortem cedros, e os meus servos estarão com os teus servos, e eu te darei o salário dos teus servos, conforme a tudo o que disseres; porque bem sabes tu que entre nós ninguém há que saiba cortar a madeira como os sidônios.
E aconteceu que, ouvindo Hirão as palavras de Salomão, muito se alegrou, e disse: Bendito seja hoje o Senhor, que deu a Davi um filho sábio sobre este tão grande povo.
E enviou Hirão a Salomão, dizendo: Ouvi o que me mandaste dizer. Eu farei toda a tua vontade acerca das madeiras de cedro e de cipreste.
Os meus servos as levarão desde o Líbano até ao mar, e eu as farei conduzir em jangadas pelo mar até ao lugar que me designares, e ali as desamarrarei; e tu as tomarás; tu também farás a minha vontade, dando sustento à minha casa.
Assim deu Hirão a Salomão madeira de cedro e madeira de cipreste, conforme a toda a sua vontade.
E Salomão deu a Hirão vinte mil coros de trigo, para sustento da sua casa, e vinte coros de azeite batido; isto dava Salomão a Hirão anualmente.
Deu, pois, o Senhor a Salomão sabedoria, como lhe tinha falado; e houve paz entre Hirão e Salomão, e ambos fizeram acordo ( I Reis 5:1-12)."
3- Além das construções, Hirão estabelece com o reino de Salomão uma aliança no âmbito naval:
"Também todas as taças de beber do rei Salomão eram de ouro, e todos os vasos da casa do bosque do Líbano eram de ouro puro; não havia neles prata, porque nos dias de Salomão não tinha valor algum.
Porque o rei tinha no mar as naus de Társis, com as naus de Hirão; uma vez em três anos tornavam as naus de Társis, e traziam ouro e prata, marfim, e bugios, e pavões (I Reis 10:21-22)".
Porque o rei tinha no mar as naus de Társis, com as naus de Hirão; uma vez em três anos tornavam as naus de Társis, e traziam ouro e prata, marfim, e bugios, e pavões (I Reis 10:21-22)".
"Também as naus de Hirão, que de Ofir levavam ouro, traziam de Ofir muita madeira de almugue, e pedras preciosas (I Reis 10:11)".
4- Salomão, em troca dá cidades para Hirão. As cidades dadas em trocas não são bem aceitas
"Passados vinte anos, em que edificara Salomão as duas casas, isto é, a casa de Jeová e a casa do rei
(ora Hirão, rei de Tiro, tinha fornecido a Salomão madeiras de cedro e de cipreste, e ouro segundo tudo o que este desejava), então deu a Hirão vinte cidades na terra da Galiléia.Saiu Hirão de Tiro para ver as cidades que Salomão lhe tinha dado, e não lhe agradaram.Disse: Que cidades são estas que me deste, irmão meu? E chamou-lhes terra de Cabul, nome que se conserva até hoje.Hirão tinha enviado ao rei cento e vinte talentos de ouro ( I Reis 9:10-14)".
Propina, construção civil, políticos.
Entrevista - Pedro Henrique Pedreira Campos
"Propina é quase uma regra no setor de obras públicas"
Delações da Andrade Gutierrez e da Odebrecht vão descortinar um enorme esquema, mas fim da corrupção passa por mudança institucional, diz historiador
por Ingrid Matuoka — publicado 29/03/2016 04h29
Felipe Campos Mello

"Uma colaboração da Odebrecht pode descortinar um esquema impressionantemente grande", diz historiador
Em fevereiro, executivos da empreiteira Andrade Gutierrez assinaram acordo de delação premiada com a força-tarefa daOperação Lava Jato. Em março, aOdebrecht anunciou que pretende adotar a mesma estratégia. A expectativa é de que essas delações exponham as entranhas do sistema político brasileiro e ajudem a torná-lo menos corrupto.
Para Pedro Henrique Pedreira Campos, professor de História na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, as eventuais punições a partir da Lava Jato não serão suficientes para encerrar a corrupção.
No livro Estranhas Catedrais: as empreiteiras brasileiras e a ditadura civil-militar, Pedreira Campos nota que as empreiteiras têm estreita relação com a corrupção nos governos desde antes da ditadura, formando um organismo complexo de se dissolver. Assim, avalia, seria preciso atacar as estruturas que permitem a existência de corrupção nas interações entre as grandes empresas e o Estado.
CartaCapital: Executivos da Andrade Gutierrez assinaram um acordo de delação premiadacom a Procuradoria-Geral da República e a Odebrecht tem feito acenos na mesma direção. Como o senhor vê isso?
Pedro Henrique Pedreira Campos: Deve inquietar muita gente, porque a principal peça da corrupção no Brasil envolve as empreiteiras. Elas têm um modo de operar combinado com uma gama bastante significativa de políticos de muitos partidos.
Essa relação se dá por interesses no processo eleitoral, em financiamento de campanhas, junto ao parlamento, tentando pressionar para aprovar projetos de obras, para indicar nomes para diretorias de empresas estatais, entre outros.
A partir das pesquisas que realizei, tenho a impressão de que, vindo à tona os financiamentos eleitorais, caixa um e caixa dois, e pagamentos de propinas, entre outros, vai se descortinar uma engrenagem muito robusta, envolvendo muita gente.
CC: O Ministério Público Federal tem pressionado a Odebrecht por informações novas. Eles afirmam ter o esquema praticamente mapeado, mas gostariam de entender as remessas para contas que os partidos supostamente mantêm no exterior. Você pode falar um pouco sobre esse esquema?
PHPC: Essas empresas surgem antes da ditadura. A Camargo Corrêa é de 1930 e a Odebrecht e a Andrade Gutierrez são [das décadas] de 1940 e 50. Ao longo da ditadura elas crescem e se fortalecem muito, porque apoiaram o golpe de estado. Em certa medida, elas pautaram as políticas públicas durante o período. Ainda hoje têm um poder impressionante na determinação da agenda pública no Brasil.
Na década de 80, elas conseguem fazer uma transição durante a mudança do regime político e mantêm-se próximas ao poder. Nesse sentido, não são apenas empreiteiras, mas grandes grupos econômicos de atuação internacional.
Nessas atividades no exterior, fazem muitas operações cambiais, que podem ser relacionar diretamente com as operações realizadas no Brasil: pagamento de intermediários, para conseguir uma obra, ou uma parte maior da obra, por exemplo.
É comum elas receberem no exterior, ficar com esse dinheiro em paraísos fiscais, e aí pagar figuras intermediárias no Brasil, que vão possibilitar uma obra ou aditivos nela. Toda a presença internacional desses grupos vai culminar em pagamentos de práticas irregulares desenvolvidos no Brasil e fora.
CC: A Operação Lava Jato descobriu todo um setor da Odebrecht destinado a pagamentos de propinas. Isso surpreende?
PHPC: Não. A prática de pagamento de propina não é uma questão excepcional no modus operandi dessas empresas, pelo contrário, verifico que é quase uma regra no setor de obras públicas. Todas as mais poderosas do cenário doméstico, ou seja, Camargo Corrêa, Gutierrez e Odebrecht, historicamente foram denunciadas e acusadas de corrupção, antes, durante e depois da ditadura. Escândalos envolvendo empreiteiras não são uma novidade. O que as investigações denotam é que há práticas comuns feitas por essas empresas, como esses pagamentos de propinas.
CC: Em nota, a Odebrecht fala da “existência de um sistema ilegal e ilegítimo de financiamento do sistema partidário-eleitoral do país”. Qual o papel das empreiteiras na criação desse sistema?
PHPC: O financiamento eleitoral por empresas no Brasil, que agora foi proibido pelo Supremo Tribunal Federal, tinha três grandes grupos principais: os bancos, as empreiteiras e o agronegócio. Porém, as empreiteiras têm um papel muito decisivo nesse processo.
Muitas vezes, ao financiar a eleição, eles já têm um acerto prévio na obra, uma cota-parte do lucro, da arrecadação da empresa ao longo do serviço, que será destinada para o financiamento eleitoral. Essa é uma forma de garantir o futuro da empresa, para que ela continue a ter participação no governo.
Ao mesmo tempo, a empreiteira não financia apenas um grupo político, ela financia vários, de modo que ela possa pautar qualquer um dos cenários políticos surgido da eleição, ampliando muito seu alcance.
CC: O que espera das eleições sem o financiamento empresarial de campanha?
PHPC: Acho que pode ser um avanço para as eleições. Estamos acompanhando uma escalada da presença do poder econômico no processo político, parlamentar, eleitoral e democrático como um todo; estão submetidos aos anseios e interesses desse poder.
O fim do financiamento empresarial pode proporcionar um cenário em que esses interesses econômicos estejam menos presentes, mas isso só pode acontecer se houver uma fiscalização intensa sobre os processos de financiamento por fora, o caixa dois, e também no financiamento de pessoas físicas, porque não é nada difícil mascarar financiamento de empresas por meio de pessoas físicas.
CC: De que outras formas as empreiteiras podem tentar manter a relação com os políticos?
PHPC: Além do financiamento, o poder desses empresários se faz presente na forma como são feitas as emendas parlamentares no Congresso, no modo como se dão as coalizões políticas e a nomeação de cargos em empresas estatais, entre outros. É toda uma engrenagem que move as estruturas entre políticos e empreiteiras, e é por meio disso que eles conseguem licitações para recursos e aditivos que tornem a obra lucrativa.
Para que essa relação se encerre, é preciso mexer nas normas, nesses mecanismos institucionais que permitem que os empresários pautem e definam, em certa medida, a agenda das políticas públicas. Há quem fale em contratar somente empresas estrangeiras para diminuir a corrupção. Tenho dúvidas, já tivemos casos de estrangeiras envolvidas em casos de corrupção.
CC: Reportagens de Brasília já falam em "terra arrasada" após a delação dessas empreiteiras. O senhor concorda?
PHPC: Uma colaboração da Odebrecht e da Andrade Gutierrez pode descortinar um esquema impressionantemente grande, mas se isso vai derivar em alguma coisa, eu não sei. Espero que as pessoas envolvidas sejam devidamente julgadas e que haja uma discussão e uma mudança significativa nos mecanismos que permitem a relação Estado-empreiteiras ser corrupta e propícia a práticas ilegais.
Eu achava que a Lava Jato era mais um escândalo envolvendo empreiteiras, como tantos outros da história brasileira, que não foram poucos. Mas ela mostra estar voltada para derrubar o governo e o PT. E não vejo a operação sendo capaz de acabar com a corrupção, porque ela não deve solucionar os mecanismos institucionais dessa relação corrupta.
CC: E como o senhor avalia a Lava Jato até aqui?
PHPC: Infelizmente, acho que a Lava Jato tem mais um sentido de punir e chegar a certos alvos políticos que parecem estar norteando os desdobramentos da operação mais do que qualquer outra coisa, com práticas ilegais, em um movimento golpista evidente.
Ela parece ter finalidades políticas e alvos políticos bastante seletivos. Eu não vou ficar defendendo PT, Dilma, Lula, acho que eles devem ser investigados, o que não pode é ter uma prioridade nos alvos da investigação. Em geral, estou bastante assustado com os desdobramentos da Lava Jato.
CC: Surgiram notas afirmando que as delações podem se concentrar mais no PT e no PMDB por causa das eleições. Isso pode acontecer?
PHPC: Tenho dúvidas se eles omitiriam ou amenizariam toda a atuação de figuras do PSDB e da oposição de direita hoje nas colaborações. Isso por diversos motivos.
Não sou especialista, mas até onde eu sei, caso esses empresários e executivos queiram de fato realizar uma "delação premiada" ou acordo de leniência, devem expor toda a engrenagem da corrupção e todas as ilegalidades cometidas no que se refere ao tema e período da investigação, sob a ameaça de perder a redução da pena em caso de omissão ou falsificação de alguma informação indicada.
Até agora, das listas e nomes expostos, agentes da oposição conservadora têm sido mencionados costumeiramente, como é o caso do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que parece figurar em todas as listas de pagamento de caixa dois, financiamento eleitoral e propina das empreiteiras que até agora foram divulgadas, apesar de isso não receber o mesmo peso e centralidade nas manchetes do que as indicações de nomes associados ao governo nos meios de comunicação da mídia tradicional e hegemônica.
Nada indica que tucanos e outros partidos da oposição conservadora são menos corruptos do que os petistas e outros membros de partidos da base aliada. Pelo contrário, todos os partidos que aceitam doações de pessoas jurídicas são contemplados – em maior ou menor grau – pelas "doações", ou investimentos, desses grupos, sob a lógica de "quem financia, governa junto" ou "quem paga a banda, escolhe a música". As únicas e honrosas exceções parecem ser os poucos partidos que não aceitam dinheiro de empresas.
Além do mais, escândalos como a compra de votos para a emenda da reeleição, as privatizações dos anos 90, o esquema da pasta rosa, o caso Sivam são indícios do que o período tucano foi bem farto em práticas ilegais, irregulares e corruptas dos partidos que compunham a base aliada.
O lamentável é que o PT não tenha inovado muito nesse campo, mantendo uma estreita associação com empreiteiras que se nutriram da ditadura e que mantêm práticas bastante condenáveis, como o pouco cuidado com trabalhadores nos canteiros de obras, o que acarreta em sucessivos acidentes, inclusive com mortes – vide os estádios da Copa Fifa – e as práticas ilegais que eles realizam para conseguir as obras e torná-las lucrativas.
sexta-feira, 10 de junho de 2016
Oderbrecht
Uma das personagens da história de Salomão é o rei Hirão de Tiro, que forneceu pedras, madeiras e arquitetos para as grandes construções de prédios e muralhas do império.
É impossível não correcionar isso com as grandes construtores e a corrupção no país.
O interessante é ver as tabelas de corrupção, com seus nomes e apelidos.
De fato, a tabela é de outra maneira, como se segue nos exemplos abaixo:
Na tabela real de propinas, de um departamento da Oderbrecht chamado 'Setor de Operações estruturadas, temos uma série de entradas que singularizam as informações sobre o pagamento de dinheiros a entidades e políticos em troca de algum benefício.
Fonte: http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2016/03/23/documentos-da-odebrecht-listam-mais-de-200-politicos-e-valores-recebidos/
O interessante é ver uma contabilidade bem organizada, codificada, com valores e nomes.
Estas listas se aproximam da técnica narrativa de listas que abundam no texto bíblico.
Por exemplo, na lista de recolhedores de impostos que Salomão cria para dar conta de suas grandes realizações, de seus empreedimentos imobiliários do império:
Assim foi Salomão rei sobre todo o Israel.
E estes eram os príncipes que tinha: Azarias, filho de Zadoque, sacerdote;
Eliorefe e Aías, filhos de Sisa, secretários; Jeosafá, filho de Ailude, cronista;
Benaia, filho de Joiada, sobre o exército; e Zadoque e Abiatar eram sacerdotes;
E Azarias, filho de Natã, sobre os provedores; e Zabude, filho de Natã, oficial-mor, amigo do rei;
E Aisar, mordomo; Adonirão, filho de Abda, sobre o tributo.
E tinha Salomão doze oficiais sobre todo o Israel, que proviam ao rei e à sua casa; e cada um tinha que abastecê-lo por um mês no ano.
E estes são os seus nomes: Ben-Hur, nas montanhas de Efraim;
Ben-Dequer em Macaz, e em Saalbim, e em Bete-Semes, e em Elom, e em Bete-Hanã;
Ben-Hesede em Arubote; também este tinha a Socó e a toda a terra de Hefer;
Ben-Abinadabe em todo o termo de Dor; tinha este a Tafate, filha de Salomão, por mulher;
Baana, filho de Ailude, tinha a Taanaque, e a Megido, e a toda a Bete-Seã, que está junto a Zaretã, abaixo de Jizreel, desde Bete-Seã até Abel-Meolá, para além de Jocmeão;
O filho de Geber, em Ramote de Gileade; tinha este as aldeias de Jair, filho de Manassés, as quais estão em Gileade; também tinha o termo de Argobe, o qual está em Basã, sessenta grandes cidades, com muros e ferrolhos de cobre;
Ainadabe, filho de Ido, em Maanaim.
Aimaás em Naftali; também este tomou a Basemate, filha de Salomão, por mulher;
Baaná, filho de Husai, em Aser e em Alote;
Jeosafá, filho de Parua, em Issacar;
Simei, filho de Elá, em Benjamim:
Geber, filho de Uri, na terra de Gileade, a terra de Siom, rei dos amorreus, e de Ogue, rei de Basã; e só uma guarnição havia naquela terra.
1 Reis 4:1-19
É impossível não correcionar isso com as grandes construtores e a corrupção no país.
O interessante é ver as tabelas de corrupção, com seus nomes e apelidos.
De fato, a tabela é de outra maneira, como se segue nos exemplos abaixo:
Na tabela real de propinas, de um departamento da Oderbrecht chamado 'Setor de Operações estruturadas, temos uma série de entradas que singularizam as informações sobre o pagamento de dinheiros a entidades e políticos em troca de algum benefício.
Fonte: http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2016/03/23/documentos-da-odebrecht-listam-mais-de-200-politicos-e-valores-recebidos/
O interessante é ver uma contabilidade bem organizada, codificada, com valores e nomes.
Estas listas se aproximam da técnica narrativa de listas que abundam no texto bíblico.
Por exemplo, na lista de recolhedores de impostos que Salomão cria para dar conta de suas grandes realizações, de seus empreedimentos imobiliários do império:
Assim foi Salomão rei sobre todo o Israel.
E estes eram os príncipes que tinha: Azarias, filho de Zadoque, sacerdote;
Eliorefe e Aías, filhos de Sisa, secretários; Jeosafá, filho de Ailude, cronista;
Benaia, filho de Joiada, sobre o exército; e Zadoque e Abiatar eram sacerdotes;
E Azarias, filho de Natã, sobre os provedores; e Zabude, filho de Natã, oficial-mor, amigo do rei;
E Aisar, mordomo; Adonirão, filho de Abda, sobre o tributo.
E tinha Salomão doze oficiais sobre todo o Israel, que proviam ao rei e à sua casa; e cada um tinha que abastecê-lo por um mês no ano.
E estes são os seus nomes: Ben-Hur, nas montanhas de Efraim;
Ben-Dequer em Macaz, e em Saalbim, e em Bete-Semes, e em Elom, e em Bete-Hanã;
Ben-Hesede em Arubote; também este tinha a Socó e a toda a terra de Hefer;
Ben-Abinadabe em todo o termo de Dor; tinha este a Tafate, filha de Salomão, por mulher;
Baana, filho de Ailude, tinha a Taanaque, e a Megido, e a toda a Bete-Seã, que está junto a Zaretã, abaixo de Jizreel, desde Bete-Seã até Abel-Meolá, para além de Jocmeão;
O filho de Geber, em Ramote de Gileade; tinha este as aldeias de Jair, filho de Manassés, as quais estão em Gileade; também tinha o termo de Argobe, o qual está em Basã, sessenta grandes cidades, com muros e ferrolhos de cobre;
Ainadabe, filho de Ido, em Maanaim.
Aimaás em Naftali; também este tomou a Basemate, filha de Salomão, por mulher;
Baaná, filho de Husai, em Aser e em Alote;
Jeosafá, filho de Parua, em Issacar;
Simei, filho de Elá, em Benjamim:
Geber, filho de Uri, na terra de Gileade, a terra de Siom, rei dos amorreus, e de Ogue, rei de Basã; e só uma guarnição havia naquela terra.
1 Reis 4:1-19
quinta-feira, 9 de junho de 2016
salomônicas. segunda versão das cenas iniciais
SALOMÔNICAS
Farsa Juriverídica
Marcus Mota
2016
Personagens
VELHO SALOMÃO
JOVEM SALOMÃO
RAINHA DE SABÁ
ASSISTENTE RAINHA DE SABÁ
CORO DE MULHERES (Harém)
CORO DE HOMENS (Trabalhadores)
CRONISTA (Vestido de Palhaço)
Cena I
Ambiente enfumaçado, Salomão velho, paciente terminal em um quarto de hospital. Ele está com sondas enfiadas em suas veias, sentado em uma cadeira giratória, com roupa hospitalar. Ele olha com raiva para frente. Atrás dele surgem os sons de uma algazarra - um grupo barulhento que entra e sai da cena tocando tambor e sopros, gritando o nome do velho rei: Sosô! Salô! Sosô! Salô! Depois de um tempo, o velho ergue lentamente seu braço, o sangue escorrendo em seus braços lívidos. Ele tenta agarrar a fumaça, que escapa entre os seus dedos. Depois de um tempo desiste e fala, mostrando a boca velha, suja, dentes amarelados- o cadáver insepulto.
VELHO SALOMÃO
Bo-ba-gem! Tudo uma imensa bobagem!
(Sopra um vento forte. O grupo barulhento entra como se tivesse sido lançando pelo vento. Eles se apoiam na cadeira do VELHO SALOMÃO e a giram. Depois de um tempo tudo se torna um grande número de festa. Canção da Sabedoria)
Canção da Sabedoria[1]
Cena 2
Interior luxuoso de um escritório de advocacia, mas tudo ainda dentro do quarto de hospital. Uma mesa de negócios aos centro. Atrás uma jaula com mulheres seminuas. O que acontece agora é uma mistura de reunião de negócios com um jantar fino. Salomão sentado em sua cadeira-trono, cercado por seus executivos. A cadeira-trono está mais elevada. Colocam sobre ele um casaco de terno sobre as roupas hospitalares. São projetados Tabelas, balancetes, gráficos, assim como imagens de riqueza de ostentação: haras, iates, banquetes, malas de dólares, orgias. Junto com isso, temos interferência de imagens de desgraças típicas decorrente da corrupção: filas em hospitais, manifestações sendo reprimidas com violência policial, gente pedindo dinheiro, miséria. Fala a RAINHA DE SABÁ. A mulher está montada com roupas multicoloridas e caras. Ela está com seus executivos também.
RAINHA DE SABÁ (exagerada, apaixonada... pelo poder. Folheia os relatórios. Ao falar, vai ficando cada vez mais catatônica, um zumbi de Salomão)
Eu... eu... eu estou sem palavras! Nem consigo respirar! Nossa empresa de auditoria constatou que de fato tudo é verdade. Está aqui nos relatórios! É inacreditável! Mas está tudo certo! Eu vejo com meus próprios olhos! É isso muito mais!
ASSESSOR DA RAINHA DE SABÁ
Havia uma grande dúvida sobre a veracidade das informações. Mas a contabilidade está ok, toda a documentação correta!
RAINHA DE SABÁ
Esse seu negócio aqui é fabuloso! Está em plena expansão! Todos trabalham, ninguém reclama, e você está cada vez mais rico!
ASSESSOR DA RAINHA DE SABÁ
Os números são impressionantes! Novos clientes nacionais e internacionais, novos processos, leis, mercadorias indo e vindo sem parar. Uma maravilha!
RAINHA DE SABÁ
E todo mundo aqui tão feliz, todo mundo tão satisfeito.
ASSESSOR DA RAINHA DE SABÁ
Trouxemos uns presentes pra você, pra mostrar nossa admiração. ( Os assessores da Rainha de Sabá se viram e mostram suas bundas sujas, marcadas de chicote, sangrando).
RAINHA DE SABÁ ( tirando sua roupa e indo beijar Salomão)
Você é um homem muito sábio, Sosô. Eu vi tudo! Que sorte tem essa gente que trabalha pra você! E as suas mulheres! Como estão felizes! (SALOMÃO bate palmas e entram empregados carregando os pratos para o banquete. Entram bandejas com pedaços inteiros de animais(cavalos, macacos, girafas), maços de notas de dinheiro e acessórios sexuais. Abrem a jaula com a mulheres. Elas chegam como zumbis, mulheres violentadas, abusadas sexualmente. A RAINHA DE SABÁ vai ao encontro delas. Elas se dirigem para a platéia em um andar lento, para que sua desgraça seja melhor observada. Black-out.
Cena 3
Apenas a cadeira no ambiente hospitalar. Salomão está como que morto na cadeira. Foco nele. Um locutor anuncia o próximo número do show: entra um jovem comediante Salomão. Stand Up. Uma bateria acompanha o número do jovem Salomão. Enquanto isso, o morto Salomão sincroniza seus movimentos com os do som da bateria)
LOCUTOR
And now, ladies and gentlemen, a história de como tudo começou.
JOVEM SALOMÃO
Sabe Deus, o todo poderoso? Pois é, guardei no bolso! (Bateria. Risadas pré-gravadas). Foi assim: a vagabunda da mamãe falou com o doente do meu pai: eu seria o próximo na empresa. Grandes merda! Então eu tinha que mandar matar uns caras e sorrir. As pessoas precisam me amar, eu precisava que as pessoas me amassem como mamãe e papai. Um dia, de noite, eu tive um sonho. Tava dormindo e Deus veio falar comigo. Ele me perguntou assim: Rapaz, o que você quer da vida: mulheres, dinheiro, poder! Porra, eu tava dormindo na minha cama. Eu sou a porra do herdeiro. Tive tudo do bom e do melhor e agora Deus vem aqui na minha casa me oferecer alguma coisa que eu já tenho? Me deu uma raiva naquela hora. Mas deixa quieto. Vai ter troco. Olhei firme na cara daquela nuvem e disse: "Apenas dá-me sabedoria para governar o povo com justiça e saber a diferença entre o bem e o mal". (Para o Cronista) Escreve aí, palhaço! (Para a platéia) Essa nem Deus esperava! Deve ter pensando: Porra, o que ele quer dizer com 'dá-me sabedoria'. Enquanto a nuvem se contorcia em dúvidas, eu peguei o bicho pelo pescoço e fui mandando ver: " Jura que vai me ajudar! Jura que vai atender meu pedido!" A nuvem se debatia, querendo escapar. Aí mandei a banda tocar o mais alto possível, até o bicho se entregar na minha mão. ( A banda do início volta a tocar sua balbúrdia) Chega! Depois dessa tortura, a nuvem agonizando cedeu :"Porra: você vai ter o que você pediu - sabedoria, inteligência, esperteza, como nenhum outro teve antes de você, nem terá depois. " Agora era eu, minha gente! Eu! Todo mundo ficou sabendo disso. Se Sosô podia com Deus, quem seria contra Sosô?!
Cena 4
Saem duas mulheres da jaula de mulheres. Eles disputam a tapa um bebê recém nascido. Homens a arrastam perante o rei. Ele perde a paciência sai de seu trono e dá um tapa em uma mulher e beija a outra. Tira o bebê delas e entrega para um soldado que segura o bebê pelos pés.
JOVEM SALOMÃO
Calma, putada! Calma. (Descasca uma laranja) Qual a fofoca?
CRONISTA
"Segundo os autos, a vagabunda requerente número 1 acima supracitada, caralho, informou que coabitava com sua colega no mesmo endereço, cama e edredom quando ambas engravidaram ao mesmo tempo de seus filhos que nasceram na mesma hora, dia, mês e ano, agora sendo quatro os moradores da casa, fora os eventuais fiadores e putanheiros ordinários- lista enorme aqui- mas uma noite uma delas dormiu e rolou sobre uma das crianças, matando-a por sufocamento com dolo e sem dolo, sem consolo, coisa terrível de ser ver e ouvir. Pobre criança pobre!
JOVEM SALOMÃO (levanta-se, andando com as mãos para trás, circunspecto)
Atente-se aos fatos e à lei, cronista!
CRONISTA
Então a que ficou sem filho levantou-se no meio da noite e trocou os bebês: o morto foi pra outra; o vivo, junto de si.
JOVEM SALOMÃO
Não me diga que ela rolou e matou o outro também( Tapa na cara da mulher) Idiota!
CRONISTA
No dia seguinte a mulher acordou e foi dar de mamar para o bebê.
JOVEM SALOMÃO
E então o bebê engasgou, sufocou. ( Tapa na cara da mulher) Estúpida!
CRONISTA
Não. Ela viu então que o bebê estava morto, que não era dela.
JOVEM SALOMÃO
Mas como assim? Não entendi nada. Conta essa história direito! ( Tapa na cara do cronista)
MULHER 1
Foi ela! Ela quem matou meu filho!
MULHER 2
Mentira! Sou puta, mas não assassina. Foi ela! Foi ela!
JOVEM SALOMÃO
E agora o que vocês querem que eu faça? Cadê o problema?
CRONISTA
É crime de sangue, é grave.
JOVEM SALOMÃO
Sei... Deixa me ver. Quem matou quem? Cadê o corpo?
MULHER 1
Você me conhece, Sosô. Você me conhece bem...
JOVEM SALOMÃO (tapa na cara)
Sai, sai, desencosta.
MULHER 2
Você conhece todas nós.
JOVEM SALOMÃO ( tapa na cara
Parem com isso! Cronista, o que você acha?
CRONISTA
Um caso difícil. Elas moravam sozinhas, não há testemunhas.
JOVEM SALOMÃO
Então me tragam o bebê. E me dêem uma espada.
MULHER 1
Isso. Corta a criatura ao meio. Assim resolve isso logo.
JOVEM SALOMÃO ( Descascando a laranja com espada. Fala com o bebê)
Fale, abra o bico: você viu tudo. Quem matou o teu irmão?
CRONISTA
Mas, senhor, é apenas...
JOVEM SALOMÃO ( Tapa)
Calado! Todos sabem que Deus me tornou o homem mais sábio de todos, capaz de fazer justiça como ninguém. (Para o bebê, ameaçando com a espada) Fale, moleque. Foi você? Confesse!
MULHER 2
Por favor! Não mate o meu filho! Pode entregar para a outra mulher!
JOVEM SALOMÃO
Caso encerrado. O bebê agora é meu.(Joga a laranja fora e abraça a criança) Gostei dele.(Depois joga a criança fora) Mandem essas mulheres pro meu harém. Todos no futuro vão se lembrar do dia de hoje. Sabedoria e justiça para todos. (O coro celebra a decisão de Salomão)
Canção do imbecil
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